Open Insurance: o que é e como irá impactar o setor de seguros

Escrito em 10 de Junho de 2022 por Maria Carolina Rosa

Atualizado em 24 de Agosto de 2023

Open Banking, Open Innovation e Open Data. Não é de hoje que o universo Open vem causando grandes transformações e impactando setores importantes da sociedade. Agora, chegou a vez do Open Insurance,  que promete trazer novos desafios para o mercado de seguradoras.

O sistema começou a ser implementado ainda em 2021, e já abre caminho para diversas mudanças no setor de previdência e seguradoras dos mais diversos tipos.

Mas o que significa Open Insurance, na prática? É isso que vamos ver no post de hoje. Se você quer saber mais sobre o tema e as inovações que ele irá trazer para o mercado de seguros, continue a leitura até o final!

Sem tempo para ouvir? Dê um play no áudio abaixo.

O que é Open Insurance?

O Open Insurance faz parte de uma agenda de inovação do Banco Central, que começou com o lançamento do Pix, no final de 2020.

Depois do Pix, foi a vez do Open Banking abrir as portas para a revolução do sistema financeiro, com a promessa de mais agilidade e transparência nos processos. 

Já em dezembro de 2021, o Open Insurance entrou em cena para transformar o setor de seguros. Seguindo na mesma linha dos outros sistemas Open, ele permite o compartilhamento de dados e informações de seguradoras e previdências.

Dessa forma, a oferta de serviços e novas funcionalidades ficam acessíveis a outras empresas ou parceiros credenciados pelo Susep (Superintendência de Seguros Privados), o que possibilita uma maior inovação em diferentes tipos de aplicações.

Para ter uma ideia completa, confira quais são os três pilares do Open Insurance:

  • Open Innovation: disponibilização de dados e serviços integrados e padronizados, que permitem a criação e desenvolvimento de novas soluções para as seguradoras e instituições de previdência;
  • Novos modelos de negócio: a partir do compartilhamento de dados e informações, as instituições do setor de seguros podem ter acesso à insights para melhorar os seus serviços e produtos e desenvolver novos negócios;
  • Experiência digital: o Open Insurance também irá utilizar tecnologias de transformação digital, como o Big Data e a Inteligência Artificial. Com isso, o setor fornecerá uma melhor experiência digital para os consumidores, com mais agilidade no uso de serviços e dados.

Mas como funciona, na prática, o Open Insurance?

Agora que você já sabe o que é Open Insurance, é hora de entender o seu funcionamento. 

De forma resumida, o Open Insurance funciona a partir das APIs  (Application Programming Interfaces), onde as empresas participantes podem disponibilizar dados e produtos de forma padronizada e integrada.

As APIs são um conjunto de protocolos e definições utilizados para criar e integrar softwares de aplicações.

E é essa a tecnologia que proporciona a integração entre diferentes sistemas, e possibilita o funcionamento do Open Insurance.  

Logo, podemos afirmar que o acesso às APIs abertas garante o compartilhamento de dados entre diferentes seguradoras, Insurtechs, bancos e outras organizações.

O objetivo? Tornar as ofertas de seguros mais competitivas e incentivar a inovação nas seguradoras a partir da incorporação de novas tecnologias. Assim, facilitando a vida dos usuários e garantindo mais agilidade, transparência e segurança.

Além disso, o Open Insurance será interoperável com o Open Banking, e fará parte de um ecossistema mais amplo, denominado como Open Finance.

No entanto, é importante lembrar que o compartilhamento de dados só será feito com a autorização e consentimento dos consumidores. Os clientes também poderão escolher com quais entidades desejam compartilhar as informações, assim como podem interromper o compartilhamento a qualquer momento.

O Open Insurance e as vantagens para os consumidores 

Como vimos até aqui, o Open Insurance representa um verdadeiro salto quando falamos sobre transformação digital no setor de seguradoras. 

Mas quais são as vantagens do Open Insurance para os consumidores? Confira a seguir.

 1.  Agilidade e precisão


A interoperabilidade entre Open Banking e Open Insurance garantirá muito mais agilidade, tanto para cumprir as determinações dos órgãos reguladores, quanto para oferecer melhores serviços.

 2.  Liberdade de escolha


Com o sistema de dados abertos, os consumidores terão muito mais liberdade para fazer suas escolhas na hora de contratar seguradoras, e poderão contar com diversas opções para cada necessidade.

 3.  Personalização


O compartilhamento de dados e informações de clientes permitirá uma maior personalização na oferta de serviços e produtos. Assim, os consumidores terão mais opções e mais garantias de ter suas necessidades atendidas.

Conheça o calendário de implementação do Open Insurance

Assim como ocorreu no Open Banking, o Open Insurance seguirá um calendário de implementação, que foi dividido em três partes.

A primeira fase aconteceu em dezembro de 2021 e, segundo o Susep, o calendário irá continuar ao longo de  2022. Veja só.

Fase 1 – Open data (15/12/2021)

  • Dados públicos das sociedades supervisionadas;
  • Canais de atendimento;
  • Produtos disponíveis;
  • Marketplace.

Fase 2 – Compartilhamento de dados pessoais (01/09/2022)

  • Cadastro de participantes e clientes;
  • Movimentações dos clientes relacionadas a produtos;
  • Registro de dispositivos eletrônicos.

Fase 3 – Efetivação de serviços (01/12/2022)

  • Acesso;
  • Modificações;
  • Resgate ou portabilidade;
  • Aviso de sinistro.

Quais são os principais desafios do Open Insurance?

De forma geral, o Open Insurance no Brasil tem como objetivo promover uma maior democratização do acesso a produtos de seguros e previdência. 

Sem dúvidas, ele terá um grande impacto no sistema financeiro, já que promoverá a transformação de um setor tão tradicional como o de seguros.

No entanto, a implementação do Open Insurance também apresenta diversos desafios a serem enfrentados. Saiba quais são. 

  • Ambiente seguro: um dos grandes desafios do Open Insurance é a criação de um ambiente seguro onde os usuários possam compartilhar e expor dados privados e públicos. Dessa forma, é importante que todos os participantes estejam em conformidade com as obrigações legais;

  • Regulamentações: o estabelecimento do Open Insurance também exige a intervenção estatal e regulatória, além de cooperação entre as autoridades investidas para regular o mercado e garantir a segurança de dados;

  • Validação da identidade: Para garantir a segurança dos usuários, será necessário utilizar certificados digitais e outras tecnologias que garantam a veracidade dos dados, como a autenticação por biometria.

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Como vimos até aqui, o Open Insurance representa uma grande mudança no setor financeiro. Logo, as seguradoras dispostas a adotar novas soluções ganharão mais vantagens no mercado, contando com mais oportunidades de negócios.

Assim, é possível concluir que para se destacar em um ambiente em constante transformação e concorrências acirradas, contar com parcerias estratégicas e tecnologias inovadoras faz toda a diferença, não é mesmo?

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